terça-feira, 26 de abril de 2011

A PAIXÃO DE CRISTO EM SALVADOR

“A Paixão de Cristo pretende reafirmar a importância formadora e educativa da mensagem do Cristo com vistas ao humanismo, paz, tolerância e sabedoria.”

Por Elenilson Nascimento

Vários religiosos – inclusive cientistas – lembram que não seria possível pretender que a ciência, limitada a observar fenômenos materiais, ou a religião usada até os dias de hoje como uma ferramenta de alienação, fossem os instrumentos adequados para avaliar os designos de Deus, mesmo de um Deus insano como o retratado no Antigo Testamento, ou a vida mal contada e “forjada” de Jesus Cristo.

Mas, aproveitando esse período de pós-Páscoa, pós-compras de ovinhos, sugiro a leitura do livro “Judas, Traidor ou Traído?”, de Danillo Nunes, um livro devastador, instigante e, sobretudo, muito questionador.Apesar do título fazer referência ao apóstolo mais odiado de Cristo, Judas Iscariotes, conhecido dessa forma graças aos argumentos inimagináveis usados pela Igreja, condenado à execração eterna por deicídio, crime para o qual jamais haverá perdão, Nunes cita também todos os outros apóstolos e as histórias forjadas pela Igreja para exaltá-los e desqualificar o discípulo mais amado – a quem Jesus concedera o poder de realizar milagres e honrara com a sua confiança atribuindo-lhe a guarda das espórtulas – ao terrível gesto que o estigmatizou como o mais vil dos traidores. O livro já foi resenhado no COMENDO LIVROS.Ao longo das últimas décadas ressurgiram espetáculos contemporâneos sobre a Paixão de Cristo, produzidos com recursos tecnológicos de ponta e elenco de excelência artística, voltados para a atualização e ressignificação desse grande marco de unificação dos povos. E, para quem gosta de cinema, vale novamente lembrar que fizemos uma seleção de grandes atores que interpretaram o Jesus nas telinhas e nas telonas, e você pode conferir no CLIK-CLIK POSE.

Tem desde Gregori Chmara, em 1923; passando pelo bonitão Jeffrey Hunter, em 1961, considerado o mais perfeito interprete de Jesus nas telas; além de Enrique Irazoqui, Willem Dafoe, Fábio Assunção, Luigi Baricelli, Luciano Szafir, Jim Caviezel, Alexandre Borges, Thiago Lacerda, Murilo Rosa, Eriberto Leão e, por fim, o baiano Jackson Costa.E é justamente à Jackson Costa que prestamos a nossa homenagem aqui. O espetáculo “A Paixão de Cristo", uma superprodução patrocinada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Fazcultura e Projeto Vivo EnCena, foi apresentado em Salvador, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), durante o feriado da Semana Santa, de 22 a 25 abril, sempre às 18h30. Numa iniciativa louvável (*provavelmente foi o espírito natalino, digo, da Semana Santa), os ingressos foram trocados por um quilo de feijão ou arroz. E todo o alimento arrecadado com as apresentações foi doado para o programa Fome Zero.

Dirigido por Paulo Dourado, o espetáculo seguiu uma linha tradicional, baseado em interpretações literais dos evangelhos e pontuado por falas da Língua Portuguesa arcaica. “Não fizemos nada pósmoderno. O que queremos é mostrar a celebração da histórica Paixão de Cristo, a mais permanente e profunda entre todas as tradições culturais do mundo ocidental”, afirmou Dourado.

Apesar disso, a produção contemplou com elementos contemporâneos e efeitos especiais, contou com 50 atores e figurantes no palco. O elenco formado por Jackson Costa (no papel de Jesus), a excelente Regina Dourado (como Maria, a mãe de Jesus), Andrea Elia (Maria Madalena) e Marcelo Praddo, Luiz Pepeu, Urias Lima e Carlos Betão, dentre outros, além de um coro de 300 vozes regido pelo maestro Dilton César.

Durante os quatro dias de espetáculo mais de 20 mil pessoas compareceram em massa. Por isso a escolha da Concha Acústica, que depois de muitos anos voltou a receber uma apresentação teatral. Em função do seu duplo fundamento - religioso e artístico - a realização do espetáculo popular da “A Paixão de Cristo” se reveste de características que abarcam a diversidade das classes sociais do Estado e alcançam todo o conjunto da sociedade contemporânea, como mostram as fotos tiradas pelo ator e poeta Uarlen Becker, especial para o nosso blog.

A ideia do diretor Paulo Dourado era fazer com que o espetáculo se tornasse um evento fixo no calendário cultural anual de Salvador. Por isso, a realização d´A Paixão de Cristo, ano após ano, pretende reafirmar a importância formadora e educativa da mensagem do Cristo com vistas ao humanismo, paz, tolerância e sabedoria. Coisas que andam faltando às pessoas. Mas essa A Paixão de Cristo de Paulo Dourado, além de ter estimulado o mercado cultural do Estado, não teve missão diferente desta: pensar o verdadeiro sentido da Páscoa.

>>> clique aqui e veja o álbum completo da “A Paixão de Cristo” by Uarlen Becker.

foto 1: divulgação

demais fotos: Uarlen Becker

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